A moda do mundo é o medo.
Sinto medo do mundo da moda.
Medo da moda do mundo imundo.

Essa moda maluca me cutuca,
Com sua catimba, me deu sinuca,
E foi de bico. Explico:

Ela tá de butuca, tacape na mão.
E futuca, que nem mutuca
na cumbuca da tapioca.

Mas, o poeta… ora,
O poeta só quer elogios…
E não poucas boas loas.

Ele requer aplauso elevado,
Abusivo, exorbitante,
excessivamente alto.

Embora bicho do mato,
Ensimesmado,
Quase extinto espécime,

Regozija-se com peculiaridades sonoras,
Como corpúsculo minúsculo,
Ou espaçonave serelepe.

Pergolado de flores lápis-lazúli.
Néctar de cacto verde musgo.
Rinoceronte azul ao lusco-fusco.

Sentido para ele não faz sentido,
Pelo menos não esse sentido
Que o coração não sente.

E a moda do mundo
Nada mais era
Que mera quimera.

Fugaz, sutil, efêmera,
Simples balela,
E eu que pensei que fosse eterna!

Miklos Burger, janeiro de 2018