O Buscador tem sempre uma inquietude. Existe algo que o impele para frente e, às vezes, é muito mais que simples inquietude. Angústia talvez seja a palavra que defina melhor o que sente o Buscador, boa parte do tempo.

Então, o Buscador vai à luta, pois, em verdade, não tem escolha. Não sabe bem o que busca, mas sente intuitivamente que há algo, alguma coisa, que não tem como definir, e que vai aplacar sua sede e acalmar seu tormento. Quando se lança, aquela angústia se transforma em força. O Buscador não desiste jamais, embora certamente tenha seus momentos de desânimo. Muitas, muitas, infindáveis vezes, se sente perdido.

Isso não significa que o Buscador nunca encontre o que busca. Longe disso. Sua intuição não o trai. Ele encontra, sim. Porém, um córrego de águas cristalinas aplaca a sede e encanta a Alma num dia e, no outro dia, há que procurar outra fonte, porque a sede volta, volta sempre, e a Alma clama por novas aventuras.

O Buscador conhece o sabor da vitória, mas esse se esvai rapidamente. A certeza de um momento torna-se a dúvida do momento seguinte. Aquilo que o satisfez, a bem da verdade, já nem mais faz sentido. Nova busca nasce em seu âmago. Sua curiosidade é como a de um felino, pode aniquilá-lo ou redimi-lo. Porém, algo é certo: não há como ignorá-la. Ele bem que tenta, mas logo fica claro que a angústia cresce, e se torna um monstro.

O Buscador procura viver uma vida normal, mas ela o aborrece. Percebe-a normótica. Mesmo assim, não compreende porque, tendo tudo, não esteja satisfeito. Ter tudo é maneira de dizer, significa ter o que a maioria das pessoas, aquelas ditas normais, deseja ter, luta para ter, acreditando seja isso que as fará felizes e, pasmem, muitas ficam mesmo felizes com essas coisas normais, enquanto duram, mas não o Buscador…

O Buscador continuará buscando. Durante sua peregrinação, ele cresce, ele fica mais forte, ele adquire sabedoria. Talvez os que o cercam notem isso, e se sintam abençoados em sua presença. Mas ele, embora reconhecendo em alguns momentos seus avanços, raramente está satisfeito. Ele quer mais. Ele quer tudo. Ele quer despertar.

Poucos o compreendem, talvez ninguém o compreenda. Ele mesmo não se compreende. Percebe vagamente que tem uma missão. Reconhece, no decorrer do tempo, que aquela velha conhecida, a angústia, da qual tanto quis se livrar, é companheira fiel e bendita, santa angústia que o leva adiante, a novas descobertas, a novos platôs, a novas alturas. Então, aos poucos, começa a sentir paz, porque aprendeu a aceitar sua natureza, sua singularidade, sua beleza.

Miklos Burger

– Psicólogo clínico e psicoterapeuta

– professor de Frequências de Brilho

– autor de O BUSCADOR e O POETA