Se desejássemos criar poema proparoxítono,
haveríamos de forçar a ginástica elástica do cérebro,
sendo sistemáticos, metódicos e científicos;
entregar-nos-íamos ao sentimento lúdico,
trêmulos de júbilo pelo uso da mesóclise.

Vocábulos rítmicos válidos geram música.
Se os francófonos preferem as oxítonas,
nosso vernáculo possui intrínsecas proparoxítonas.
Não se trata de esquizofrênica estética étnica,
nem de bucólica fórmula poética inédita.

Da gramática não sou autêntico catedrático,
pouquíssimo sei sobre linguística e semântica.
Encantam-me o itálico e a metáfora, nada tenho contra a apóstrofe,
mas não me pergunte sobre vírgulas e sílabas, seria uma catástrofe.
Prefiro ficar incógnito nesse módulo, recôndito entre parêntesis.

Não necessitaríamos de astronômicos ensaios fenomenológicos,
nem de cândidas réplicas éticas em código.
Meu cântico não é satírico ou sardônico;
posso ser cômico e categórico, sem ser lacônico.
Busco a molécula hipotética no perímetro do pântano.

Entenda, mesmo que sejam mínimas e módicas
as proparoxítonas, comparadas com miríades de oxítonas,
sem falar na maioria fatídica das paroxítonas,
ainda assim eu as amo, as proparoxítonas;
são elas que me levam ao êxtase cósmico.

O sétimo dia da semana é o sábado,
o escritor é o Érico Veríssimo;
Os Lusíadas é o épico e o estereótipo mítico é Sísifo.
O odor é de sândalo e o chá, de calêndula.
Já o cachorrinho ávido é um dálmata dinâmico.

Longe de ser prolífico Michelângelo,
mesmo somente com pálido mérito artístico,
sou tomado de íntimo zênite maníaco,
com meu esdrúxulo inquérito ortográfico súbito,
grávido dessa métrica fonética mágica e hipnótica.

Para explicar melhor, sendo solícito e didático,
enfático, sintético, porém não hermético,
verídico, mas não pernóstico ou bombástico,
evito recorrer à lógica efêmera e despótica,
que me levaria às lágrimas durante meu ano sabático.

Na República democrática é ponto pacífico
querermos logística dialética íntegra,
sem cínica cláusula jurídica antagônica;
típica liderança histórica carismática,
como um Kennedy sem mácula, apóstolo magnífico.

Nos círculos psicológicos psicanalíticos,
optaríamos por trabalhos terapêuticos holísticos,
psicodramáticos, xamânicos e cabalísticos.
Seguiríamos Hermógenes e deixaríamos de ser normóticos,
mesmo que nos revelássemos algo lunáticos.

A sombra morfética da tarântula não requer álibi,
como bem sabem Mefistófeles, Calígula e Drácula,
cujas mandíbulas tornam a próxima vítima sonâmbula.
O míssil balístico atômico é sinônimo tétrico
do gélido Ártico Antártico, monótono e psicótico.

E mesmo sem ser sôfrego e lícito católico,
respeito o plácido lídimo sumo pontífice,
que torna pública na encíclica sua súplica
contra vândalos sórdidos inóspitos fanáticos,
explodindo bombas mortíferas na França oxítona.

Porém, se achássemos que tudo é cacófato trágico,
ainda que suportássemos o ápice de um abalo sísmico,
eventos vulcânicos e relâmpagos, justos não seríamos.
Melhor estaríamos se esquecêssemos o hipócrita tirânico bélico,
com todo seu séquito, e o estúpido parâmetro político-econômico.

Honro o Oceano Atlântico, o Pacífico e o Índico;
amo os pêssegos e as tâmaras. Degusto nêsperas,
às vésperas de evento sinfônico filantrópico,
pináculo cênico-lírico acústico unânime,
no meio arquitetônico nipônico anônimo.

Entre os bichos, há os carnívoros e os herbívoros;
víboras e pássaros são por demais genéricos;
Pégasos são mitológicos, não pertencem à escala zoológica.
Cáspite! Aceitaríamos não existir animal proparoxítono?
Seria uma lástima, pois o simpático bichinho é o cágado!

Que tal se passássemos rápido para outra temática:
engenharia mecânica, elétrica ou hidráulica,
matemática, estatística ou cinemática,
antes que desenvolvêssemos rubéola psicossomática,
ou distúrbio endócrino crônico na vesícula!

Toda prudência é pouca nessa época patética…
Você soube da moça que bebeu água tônica
e ficou catatônica? Ou da ioga tântrica
que contorceu as gônadas explícitas
do agente turístico, deixando-o estrábico?

Outro caso dramático específico
foi da inflamação crônica da rótula
do rústico nômade, que, de tanto andar, ficou estático.
Fenômeno climático genético geriátrico,
solucionado pelo eufórico botânico orgânico.

Ao elevar-se o índice do antígeno da glândula prostática,
recomendaríamos a raiz da cúrcuma do Líbano.
Se precisássemos espremer furúnculo,
ou aliviar a cólica de seu período:
pílula de lúpulo para o músculo do útero!

Em caso de síndrome de pânico odontológico,
permaneça impávido e socrático!
Utilize rito hipnótico indígena atávico,
avalizado por antropólogo empírico,
com ênfase no bárbaro reequilíbrio ácido-básico.

Contra surto epidêmico virótico sifilítico,
indicaríamos a prática cíclica do polo aquático,
evitando-se o mínimo acúmulo de ácido lático.
E, para vísceras lívidas, ingerir brócolis,
seguido de gargarejo com própolis de Petrópolis.

Porém, se, em vez de entusiástico, você for cético,
E achar que nada disso será benéfico,
como antídoto ao desânimo, use energético
e múltiplos banhos de sal grosso marítimo.
Aí, vá ao médico e tome um antibiótico.

Em caso de ataque histérico típico,
evite o barbitúrico britânico ou soviético,
Não use ácido muriático, por ser demasiado cáustico;
a vítima iria a óbito e você ao cárcere.
Recorra ao másculo sátiro barítono amazônico!

Chegou o momento erótico, porém não pornográfico
ou fálico, nem ginecológico explícito,
do clítoris de Cleópatra, com seu afrodisíaco;
mas romântico, e até monástico,
beneficiando o sistema linfático.

E, se nos voltássemos à temática dietética rígida,
seja macrobiótica, crudívora ou frugívora,
começaríamos o dia com suco cítrico passado na centrífuga.
No almoço, caroços de abóbora como vermífugo
e, na janta, rúcula como âncora gastronômica.

Quanto ao tópico futebolístico,
aprecio o drible mágico de meu ídolo.
Um dia, o árbitro anotará na súmula
o milésimo gol do Neymar Júnior,
e não será de pênalti; mas acrobático e antológico.

O pároco nórdico seguia de velocípede entre as árvores
quando, cúmulo do azar, teve síncope fisiológica,
devido à questão anatômica pediátrica congênita.
Escapou incólume, exceto pelas pústulas na região da escápula,
aliviadas com bálsamo sátvico, sob a ex-límpida túnica.

A desértica paisagem intrínseca do México
provocou ilusão de ótica psicodélica em Mônica:
viu o príncipe de Mônaco depois da cirurgia plástica,
estereótipo cinematográfico que compartilhou com Penélope,
que estava lúcida e lhe deu legítimo antídoto líquido.

As fantasmagóricas gôndolas, no idílico Mar Adriático,
ornamentam, de forma anacrônica, a pictórica península itálica;
Remo e Rômulo, vocês fundaram o país de Sêneca!
Emblemático é que chova aos cântaros na próspera Bélgica
e, se não houvesse obstáculo, iríamos ao sínodo em Fátima.

A Atlântida, no texto platônico, existiu milênios antes do século de Péricles.
Antígona, segundo Sófocles, era filha e irmã do rei Édipo, um arquétipo.
Na época da antiga Hélade, Perséfone foi amante de Hércules.
Já Ícaro, em voo drástico sem bússola, após a cerimônia fúnebre,
trocou o túmulo pelo galáctico rumo de Andrômeda e das Plêiades.

Devido à condição geológica e meteorológica,
não utilizaremos a nunismática ou a informática;
fica vedada a atividade filatélica ou enxadrística.
Vamos ao momento filosófico: oxítonas e paroxítonas
são, elas mesmas, que exótico, proparoxítonas!

Árjuna e os Pândavas no Mahabáratra
é o título da ópera clássica védica,
onde a mímica do único súdito do rei de Passárgada,
lânguido pelo fator etílico e pelo cânhamo,
é antítese anômala da tábula rasa cronológica.

O ômega do fôlego retira esse pífio Demóstenes do púlpito,
antes que se torne abúlico, insípido e soporífero,
evitando êxodo de público noctívago sorumbático,
no espetáculo das palavras proparoxítonas sincréticas,
se propagando céleres, por meio eletrônico.

No epílogo desta fábula utópica e fantástica,
Confesso sólido escândalo íngreme e anárquico.
Em minha azáfama, olvidei dois quadrúpedes da África:
o antílope supersônico pleno de ímpeto
e o hipopótamo púrpura do córrego.

Sagradas figuras geométricas em acrílico:
triângulo, pentágono e pirâmide são pérolas,
que interessam ao maníaco místico alienígena,
investigador do mundo psíquico e do espírito,
bípede ecológico, húngaro de coração cálido.

Sentiríamos o âmago da mônada onírica,
se ouvíssemos o som etérico da cítara no vórtice;
então leríamos os versículos em sânscrito.
Riscássemos fósforo e a cânfora queimaria num átimo,
parábola do veículo fluídico búdico e crístico.

Se compreendêssemos o Gênesis e víssemos o perispírito como os espíritas,
se orássemos e nos ajoelhássemos como os islâmicos poligâmicos,
removeríamos o cálice de anestésico e a máscara fúnebre decrépita.
Na canícula dos trópicos, dançaríamos andróginos e humorísticos
e nos deleitaríamos com ínfimos pífanos e címbalos ressoando nos tímpanos.

Miklos Burger