Proparoxítonas são palavras cuja sílaba tônica (a mais forte) é a antepenúltima. Muitas dessas palavras têm sonoridade interessante e, por isso mesmo, são úteis nos poemas. Embora a gramática tenha quase sempre exceções às regras, as proparoxítonas não têm exceção à regra: todas são acentuadas, o que é uma bênção. Eis, portanto, uma regra que vale a pena gravar!

A proposta do Poema com Proparoxítonas é utilizar, ao máximo, proparoxítonas, evitando repetir essas palavras e tentando fazer algum sentido, seja lógico ou ilógico, racional ou poético, absurdo ou hilário.Foi um exercício de criatividade e humor e, para minha surpresa, foram surgindo diversos versos e até estrofes inteiras perfeitamente coerentes. Há uns poucos versos em que existe somente uma proparoxítona, quando não fui tão bem sucedido, nesse jogo que inventei.

Há um único verso, já quase no final, em que existem seis proparoxítonas! Em média, acho que consegui umas três proparoxítonas por verso.

Fiquei algum tempo algo obcecado pelas proparoxítonas. A cada dia, outras palavras, no dizer de Caetano, surgiam em minha mente. Muitas delas exigiam sua presença no poema. Assim ele foi crescendo… Não esgotei as proparoxítonas, mas acho que usei a maioria que existe em nosso belo idioma. Ficava chateado quando, para fazer algum sentido, precisava usar várias palavras que não são proparoxítonas. Com o tempo, pude ir corrigindo quase todos esses trechos.

Foi ótimo quando lembrei que poderia usar alguns dos verbos de modo que fossem proparoxítonos. Bastava usar a primeira pessoa do plural dos seguintes tempos: pretérito imperfeito do subjuntivo e futuro do pretérito do indicativo.

Observações relativas a duas palavras utilizadas: rótula (enquanto peça anatômica) tende a desaparecer, por ter sido substituída pela palavra patela, que é paroxítona. Quanto à clítoris, existe também a forma clitóris; a pesquisa revelou que a primeira forma, proparoxítona, é mais utilizada em Portugal. Acho a sonoridade de clítoris mais agradável que a de clitóris, mesmo que o corretor automático insista em colocar o acento agudo no ó.

Aprendi ou reaprendi várias coisas com esse poema, que me fez visitar diversos aspectos do conhecimento humano, como por exemplo: nutrição, geografia, história, medicina, futebol e mitologia.
O resultado final foi de 37 estrofes com cinco versos, ou seja, 185 versos, com um total de 1.292 palavras, sendo 572 delas proparoxítonas. Pouquíssimas dessas são usadas mais de uma vez. Creio que isso ocorre basicamente com as palavras: oxítona, paroxítona e proparoxítona. A palavra ácido ocorre duas vezes, bem como a palavra pacífico, embora em contextos diferentes. Não me dei conta de nenhuma outra repetição. Embora mais da metade das palavras utilizadas seja, a rigor, constituída por não-proparoxítonas, digo em minha defesa que a maioria delas são partículas como: e, o, a, de, com, ou, etc.

Poemas devem ser lidos em voz alta, só então podemos senti-los plenamente. O desafio maior desse poema é justamente sua leitura! Convido o leitor a declamar o poema, sem enrolar a língua, sem gaguejar, sem se perder. Pergunto ao leitor quantas dessas centenas de proparoxítonas conhece e o convido a pesquisar o sentido das palavras que desconhece, o que o ajudará, entre outras coisas, a compreender e apreciar mais o poema e nosso idioma. Dedico esse poema aos professores de Português. Bom proveito!