O Buscador sente necessidade de passar adiante o conhecimento que adquiriu. Sabe que tem algo precioso para compartilhar. Deseja remover as vendas dos olhos de seus irmãos, e os tampões de seus ouvidos.

Entretanto, descobre rápida e penosamente que, embora alguns se entusiasmem com suas descobertas, a vasta maioria não lhe dá a menor atenção. E, talvez, mais grave ainda: suspeita que, entre os que o apoiam, exista um bom número daqueles que ficaram entusiasmados pela razão errada, ou seja, pensaram que o entenderam, mas em verdade isso não aconteceu. Em outras palavras, se de fato o houvessem compreendido, possivelmente não o estivessem apoiando.

Sim, o Buscador descobriu algo precioso e quer gritar para o mundo o que lhe custou tanto para aprender. Mas quem está interessado? As pessoas estão atarefadas com seus afazeres e muitas delas já têm suas crenças solidamente estabelecidas. Sentem-se ameaçadas diante de novas ideias, que poderiam fazê-las questionar os próprios dogmas.

Em resumo: embora tantos vivam um triste inferno de solidão, desespero e inconsciência, não querem mudar!

Não querem mudar!

Devido ao comodismo ou medo, ou ainda à infinita arrogância do ego, preferem manter-se exatamente onde estão. Ou bem ignoram o Buscador, ou o criticam e espinafram. Quem esse estranho pensa que é? Porventura imagina saber mais do que eu? Que novos conceitos são esses que defende, que põem em cheque meus próprios sólidos alicerces? Seria possível que não sejam tão sólidos assim?

E o Buscador segue seu rumo, algo atarantado. Sim, ele descobriu alguns caminhos que conduzem à Liberdade. Generosamente, se dispõe a compartilhá-los. Mas não são muitos que estão abertos o suficiente para lhe dar atenção. E entre esses, alguns o fazem porque imaginam, equivocadamente, que compreendem o que ele está dizendo.

O Buscador então contempla a Natureza ao redor e vê que as árvores e plantas dão suas lindas flores, sem se preocuparem se alguém irá olhar para elas. Constata que frutos deliciosos são produzidos, independente de alguém os saborear ou não. O sol nasce e se põe todos os dias, criando as mais belas pinturas, e não parece levar em conta se existem testemunhas. Pássaros fazem suas revoadas, em meio a singulares coreografias e divinos sons, mas não olham para baixo para saber se tem alguém olhando.

Suspira o Buscador. Percebe que, ao desejar doutrinar os demais, não o faz somente por compaixão. Um aspecto seu quer convencer a si mesmo, ou nutrir a própria vaidade. O Buscador então procura tranquilizar seu coração. Se as frutas só devem ser colhidas maduras, por que essa ânsia de despertar os que ainda necessitam permanecer adormecidos?

Querido leitor, há um Buscador dentro de cada um de nós. Possa ele ganhar força, e alcançar o que busca. O momento não poderia ser mais propício.

Miklos Burger
Abril de 2012